quinta-feira, 7 de maio de 2009

Uma noite inesquecível, por Leandro Fortes



Não deixa de ser curioso constatar o clima de Baile da Ilha Fiscal que cercou, literalmente, a impressionante manifestação popular levada à cabo na noite de hoje, 6 de maio de 2009, na Praça dos Três Poderes, em frente ao Supremo Tribunal Federal, aqui em Brasília. Logo cedo, o ministro Gilmar Mendes, alvo dos manifestantes, mandou colocar cercas em todo o perímetro do STF com a inacreditável desculpa de que seria preciso preservar o ambiente para um evento noturno, a apresentação de um anuário jurídico publicado pelo jornalista Márcio Chaer, do site Consultor Jurídico. Chaer e Mendes são amigos, mais que amigos, fraternos aliados empenhados em uma simbiose ideológica travestida de relação jornalística. Difícil é definir quem é a fonte de quem.

Quis o destino que a tertúlia do Conjur, montada para dar um ar de naturalidade a uma noite de protestos anunciados, surtisse um efeito perversamente oposto, alçada que foi a farra a pano de fundo perfeito para as luzes de milhares de velas acesas em frente ao STF. Graças ao convescote, os manifestantes puderam perceber a presença física, ainda que à distância, de Gilmar Mendes. Àquela altura, o presidente do STF já estava amargamente arrependido de ter apostado no fracasso da manifestação. Mais cedo, ele havia relegado o movimento a uma ação de inimigos dos quais, em mais uma de suas declarações infelizes, disse se orgulhar. Com Mendes na mira, vieram as palavras de ordem, gritadas a pleno pulmão. Ele ouviu.

Coisa linda é uma manifestação noturna com 10 mil velas. Pelo menos duas mil pessoas passaram pela Praça dos Três Poderes para participar, olhar ou só constatar o que estava acontecendo em meio àquela alegre balbúrdia de luz. Os carros normalmente indiferentes ao rush da capital federal buzinavam, em apoio aos manifestantes. Pessoas desciam dos ônibus para prestar solidariedade. Ele viu.

Que ninguém se engane. Esta noite, algo se quebrou em Brasília.
Leandro Fortes é jornalista da Carta Capital e foi o primeiro jornalista censurado por um presidente do STF sem processo, sem sentença e sem autos.

12 comentários:

  1. Cercaram o STF?
    Mais uma demonstração do gilmardantas de que o Supremo é seu curral. rararararara

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  2. Estive em um dos locais do ato. BRAVO CAROS COMPATRIOTAS! Agora não tem volta, vai crescer. Faço um apelo aos que visitam este espaço para que se encham de coragem e unam-se à esta luta que é de todos nós. Tome força e acredite no seu potencial transformador, cada indivíduo é importante para conduzir o rumo da história da evolução de uma nação. Não abandone o seu País... SOMOS FORTES E TRANSFORMAREMOS! VAMOS DERRUBAR ESSE gilmar, ELE NÃO PODE MAIS ZOMBAR DA NOSSA HONRA!!! TODOS EM FRENTE!... Saudações!

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  3. Quando será o próximo prostesto ?

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  4. Parabéns pelo Ato, boa sacada
    Continuo lutando para o Gilmar, saia as ruas da nossa Nação para dizer para o Povo Brasileiro, o que ele pensa sobre a nossa Justiça.
    Viva o Ministro Joaquim Barbosa.

    Rudiney
    Diretor da UNE
    Ceará

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  5. Atos como este devem ser feitos sempre, com mais veemência! O Brasil é um país pacífico e o povo, passivo aos escândalos e corrupções desses políticos que fazem o que querem com o dinheiro público! Chega dessa vergonha!

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  6. Nossa, que emoção!
    Foi muito bacana a mobilização!
    Parabéns!

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  7. Noblat distorce os fatos (mais uma vez)

    O Noblat publicou um post sobre a manifestação contra Gilmar Mendes. Pra variar, foi parcial, buscou partidarizar a questão, e proteger Gilmar Dantas:

    "Enquanto Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), participa de uma cerimônia dentro do prédio do tribunal, cerca de 200 pessoas promovem um apitaço na praça dos Três Poderes pedindo a renúncia dele ao cargo.

    Os manifestantes fazem parte de um grupo batizado de "Saia às ruas" e também do PSOL, partido que apoia o delegado Protógenes Queiroz, ex-chefe da Operação Satiagraha que resultou na prisão duas vezes do banqueiro Daniel Dantas, dono do Grupo Opportunitty.

    Dantas foi solto mediante habeas-corpus concedido por Gilmar." (Fonte:Blog do Noblat)



    No primeiro parágrado ele diz que só haviam 200 pessoas. A quem ele atribui este número? Aos organizadores? À Polícia Militar? Só pra constar: outros órgãos da imprensa têm falado algo entre 300 e 500. Participantes falam em 2 mil.

    No segundo parágrafo associa a manifestação ao PSOL, quando, claramente, trata-se de uma manifestação pluripartidária.

    Finalmente, a pérola: "Dantas foi solto mediante habeas-corpus concedido por Gilmar". Como é que é? Permita-me corrigir: "Dantas foi solto mediante DOIS habeas-corpus concedidoS (plural) por Gilmar."

    Tantas imprecisões em apenas três parágrafos. Coincidência?

    http://capitao-obvio.blogspot.com/2009/05/noblat-distorce-os-fatos-mais-uma-vez.html

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  8. Poderia marcar para o mais breve possível o próximo protesto, não deixar o movimento morrer, fazer com que a população veja.
    Eu sou o dono da comunidade "Impeachment para Gilmar Mendes", no orkut, e espero uma resposta. Obrigado.

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  9. Fora Gilmar!!! Se tiramos Collor, porque não Gillmar!!

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  10. A "coisa" deve ser feita numa grande capital e em horário e local que permita uma grande mobilização. Deve-se panfletar e anunciar com mais eficiência e mais frequência. O que se viu ontem foi uma vergonha e uma demonstração clara de como a mídia está a serviço da alienação do povo. Nenhuma rede de TV (RJ) aberta ou a cabo sequer citou o ocorrido, que ficou restrito a Internet e a notinhas escondidas em alguns jornais impressos.

    Deve-se fazer algo que seja impossível omitir ou camuflar.

    Contem comigo para divulgar o que rolar lá no meu blog.

    um abraço.

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  11. Parabéns a todos que participaram!
    daqui do interior de SP, ficamos na torcida para que tudo desse certo!!!

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  12. Magnífico texto.
    Ele ouviu, viu e sentiu.

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Manifesto do Movimento Saia às Ruas

Luz em nossa democracia inacabada

Há 30 anos o Brasil iniciou um processo árduo de transição democrática. Combatemos a ditadura militar a custa de sacrifício, sangue e lágrimas. O povo brasileiro, de maneira direta e contundente, disse não à opressão, não à desigualdade radical, não à pobreza. O símbolo de nossa vitória foi a Constituição de 1988, que estabeleceu as bases de um novo País. Um País que valoriza a participação social, que condena a discriminação de gênero, de raça e de classe. Queremos resgatar o espírito das Diretas! Uma democracia viva é aquela com o povo nas ruas!

O Judiciário é alicerce dos poderes de nossa República. O Supremo, como Corte Constitucional, representa isso em seu grau máximo. Entretanto, o que vimos no último ano foi uma “destruição” na imagem e na credibilidade do Judiciário. O presidente Gilmar Mendes conseguiu colocar a Suprema Corte do País contra o sentimento que está nas ruas! Além disso, contraria o pensamento do próprio tribunal que deixa de decidir como um colegiado e causa um prejuízo ao conjunto do Judiciário Brasileiro que passa a ficar desacreditado.

Nos últimos meses, temos sofrido calados ao dar-nos conta de que algumas das nossas conquistas mais nobres estão sendo ameaçadas. Sofremos porque percebemos que a Justiça ainda trata pobres e ricos de maneira desigual. Sofremos porque notamos que os privilégios de classe e o preconceito contra os movimentos sociais persistem na mais alta corte do Brasil. Nós nos sentimos traídos por quem deveria zelar – e não destruir – (por) nossa democracia: o Presidente do Supremo Tribunal Federal!

Ao libertar o banqueiro Daniel Dantas e criminalizar os movimentos populares, o Ministro Gilmar Mendes revela a mesma mentalidade autoritária contra a qual lutamos nos últimos 30 anos. O Brasil já não admite a visão achatada da lei, aplicada acriticamente para oprimir os mais fracos. O Brasil já não atura palavras de ordem judiciais – como “estado de direito”, “devido processo legal” ou “princípio da legalidade” – apresentadas como se fossem mandamentos divinos para calar o povo. Já não há espaço no Brasil para um Judiciário das elites, um Judiciário das desigualdades.

Sabemos que nossa luta não será fácil. No passado recente, lutamos contra a ditadura do Executivo e, a duras penas, vencemos. Lutamos contra a opressão ao Legislativo e pela liberdade da sociedade civil organizada e a nossa força também prevaleceu. Mas não conseguimos por fim ao autoritarismo judicial, hoje encarnado na postura do Ministro Gilmar Mendes. Mantivemos, no centro da democracia brasileira, a mão forte de uma instituição que oprime, que desagrega, que exclui. Chegou a hora de retomar a terceira batalha. O Judiciário ainda não completou sua transição para a democracia e a maior prova disso são as posturas do ministro Gilmar Mendes que ofendem e indignam a vontade da população.

O ministro Gilmar Mendes representa um autoritarismo e uma polêmica partidária-ideológica que não coadunam com a nova luz democrática que as ruas querem para este tribunal. Você se lembra de algum partido político que lançou uma nota em apoio a algum presidente do Supremo em outro momento desse país como fez o DEM? Como esse ministro irá julgar agora os processos contra esse partido? Essa partidarização das questões nas quais o ministro Gilmar Mendes está envolvido mina sua credibilidade como juiz isento e imparcial.Sua saída indicaria renovação e o fim de atitudes coronelistas e suspeitas infindáveis que recaem sobre ele (ver abaixo “SUSPEITAS QUE RECAEM SOBRE GILMAR MENDES”)

Por isso, a voz das ruas está pedindo a saída do presidente do STF Gilmar Mendes. Não admitimos mais a presença de juízes que não tenham imparcialidade, integridade moral, espírito democrático-republicano e reputação ilibada para decidir nesta corte. Uma nova luz, democrática e ética deve surgir no STF!

Nas ruas e nos campos, nas capitais e no interior deste País, milhões de brasileiros escondem uma dor cortante dentro de si. Nossa dor é uma dor moral, que nos corrói a alma e nos aperta o coração. Sofremos por nossa democratização inacabada expressada no presidente do Supremo que, a pretexto de defender direitos individuais, criminaliza movimentos sociais e beneficia banqueiros poderosos. A garantia dos direitos individuais não pode tornar-se desculpa para a impunidade reinante. Já que a soberania emana do povo, perguntem às ruas! Ministro Gilmar Mendes, você nos envergonha como povo! Precisamos de ministros que sejam respeitados pela maioria da população e tenham reputação ilibada. Precisamos de mentes que, além de técnicas, sejam democráticas e éticas.

É por isso que estamos aqui, em uma vigília por um novo amanhecer, para devolver ao Brasil a liberdade que nos tentam roubar. Não haverá uma nova luz sobre o Judiciário, enquanto não terminarmos a luta que o povo brasileiro começou há 30 anos. Chegou a hora de concluir a transição democrática, de sair às ruas e iluminar a nossa história com novo choque de liberdade. O povo já tirou o Collor e tirará Gilmar Mendes!
Saia às ruas Gilmar Mendes e não volte ao STF! Viva o povo brasileiro!

Movimento Saia às Ruas.


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