sábado, 4 de julho de 2009

Daniel Dantas, com a ajuda de políticos ligados a José Sarney, se tornou um minerador que controla uma área 50% superior à da Vale !!!

ME DIGAM POR QUE O GILMAR DANTAS FEZ QUESTÃO DE TIRAR DANIEL DANTAS DA CADEIA EM PLENA MADRUGADA?

Segue a reportagem reproduzida...........

O Conversa Afiada reproduz abaixo apenas o início da reportagem de Leandro Fortes (*) na Carta Capital que vai hoje para as bancas.

É uma bomba !

O ínclito delegado Protógenes Queiroz tem dito a todo mundo que Dantas, em 1992, com o ex-ministro Mangabeira Unger, preparou um plano de ataque às riquezas do Brasil, com grana do Citibank.

Muita gente, por isso, chamou o delegado de “alucinado”, “destemperado” (**) .

Leandro Fortes acreditou no que Protógenes disse e está lá, tudo na Carta.

Leia o início da reportagem:

Dantas, o minerador
ecos da satiagraha | O banqueiro acumula mais de mil pedidos de licença de exploração do subsolo. Nos últimos dois anos, as concesssões saem aos cântaros
por leandro fortes

Às vésperas da Operação Satiagraha, em 8 de julho de 2008, o delegado Protógenes Queiroz tinha em mãos um documento revelador sobre os planos empresariais do banqueiro Daniel Dantas. Escrito em inglês e preparado, em 1992, pelo ex-ministro de Assuntos Estratégicos Mangabeira Unger, que deixou o cargo no fim de junho, o texto era um umbrella deal (acordo guarda-chuva) com perspectivas de negócios no Brasil que atendessem, segundo Queiroz, aos interesses comerciais de Dantas e do Citigroup, um dos maiores bancos do planeta e até então parceiro inseparável do banqueiro brasileiro. Entre os 160 itens do documento, um deles traçava estratégias de entrada no bilionário mercado de mineração. DD levou o assunto a sério. De 2007 até hoje, encaminhou mais de 1,4 mil pedidos de autorização de pesquisa mineral, em treze estados do País. Já conseguiu obter mais da metade das autorizações, 80% delas em terras da União.

As outorgas para esse tipo de atividade são concedidas pelo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) do Ministério de Minas e Energia. Para atuar no ramo, Dantas montou, há dois anos, uma empresa, a Global Miner Exploration (GME4), com sede em São Paulo, e começou a garantir as concessões a partir das gestões de dois ministros diretamente controlados pelo senador José Sarney (PMDB-AP), Silas Rondeau e Edison Lobão. Graças à presteza do DNPM, a mineradora de Dantas cobre, hoje, uma área equivalente a 4 milhões de hectares onde se concentram riquezas minerais incalculáveis em forma de manganês, ouro, alumínio, fosfato, ferro, níquel, bauxita, nióbio e diamante.

A GME4 tem interesses comerciais, atualmente, nos seguintes estados: Bahia, Piauí, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Tocantins, Pará, Roraima, Rio Grande do Norte e Pernambuco. Uma abrangência territorial 50% mais extensa do que a ocupa-da -pela Vale, segunda maior mineradora do mundo. Boa parte do esforço da empresa de Dantas está concentrada na pesquisa para exploração de manganês, sobretudo na Bahia, Minas e Piauí. Os filões mais lucrativos estão, porém, em Mato Grosso, onde a GME4 procura ouro em uma área do tamanho da cidade de São Paulo. E em Mato Grosso do Sul, onde Dantas pretende encontrar diamantes. Caso consiga achar minério em apenas 2% da área abrangida pelas autorizações do DNPM, a mineradora passará a ter um valor de mercado estimado em 1,3 bilhão de dólares (2,5 bilhões de reais pela cotação atual).
Dantas não é um minerador comum. Em vez de explorar os veios, montar minas e extrair pedras, atua como atravessador. De acordo com o site oficial da empresa, a GME4 é um “banco de ativos minerais” com o objetivo de prospectar reservas “visando alienar ou realizar joint ventures”, tanto no mercado nacional como “global”. Para tal, apresenta um “portfólio de direitos minerários próprios”, ou seja, as autorizações do DNPM, cada uma com prazo de três anos. Na prática, a mineradora identifica a jazida e faz os estudos geológicos e de viabilidade econômica. Em seguida, oferece o projeto a investidores brasileiros e internacionais.

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(*) Leandro Fortes publicou na Carta Capital duas reportagens que envolvem o Presidente Supremo do Supremo, Gimar Dantas (***). Uma sobre o gritante conflito de interesses entre o empresário e o Ministro do Supremo. Clique aqui para ler “Leandro abre as contas de Instituto de Gilmar” . Outra, sobre como Gilmar Dantas (***) se comporta como o dono de Diamantino, cidade de Mato Grosso. Gilmar Dantas (***) entrou na Justiça contra Leandro.

(**) Quem chamou Protogenes de “destemperado” foi o Farol de Alexandria. Numa entrevista a Kennedy Alencar, na Rede TV, chamou também Daniel Dantas de “brilhante” …

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Juízes acusam Mendes de interferir na associação

AE - Agencia Estado


SÃO PAULO - A Associação dos Juízes Federais (Ajufe) acusou ontem o ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), de ?tentar interferir na política interna da entidade, provocando uma divisão na classe?. O pano de fundo do manifesto são duas reuniões ocorridas entre o ministro e os presidentes da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), e do Senado, José Sarney (PMDB-AP), nas quais foram tratados temas de interesse da magistratura - revisão anual de subsídios, pacto republicano e emenda constitucional que reintroduz adicional por tempo de serviço no contracheque da toga.



Em nota subscrita por seu presidente, juiz Fernando Mattos, a Ajufe sustenta que Mendes convidou para os encontros ?apenas algumas associações regionais e seccionais de juízes federais?. Dirigentes das entidades de São Paulo, Espírito Santo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul acompanharam o ministro. A Ajufe, representação nacional dos juízes federais, ficou de fora.



?O ministro demonstra que está incomodado com a atuação firme e independente da Ajufe, que tem sido a porta-voz da insatisfação dos juízes diante de diversas posturas pessoais suas, seja na condução dos pleitos do Judiciário, seja no trato da independência funcional da magistratura?, sustenta a entidade.



A nota reacende o clima hostil que marca a relação de juízes federais com o presidente do STF desde o episódio envolvendo Fausto Martin De Sanctis, juiz que mandou prender duas vezes o banqueiro Daniel Dantas em julho de 2008. Na ocasião, Mendes mandou soltar o sócio fundador do Opportunitty. Alegando ameaça à autonomia funcional da categoria, 130 magistrados declararam apoio a De Sanctis, abrindo crise que não chega ao fim.



A ida de Mendes ao Congresso para debater temas ligados aos juízes ocorre em momento delicado para as duas instituições - mergulhado na crise dos atos secretos, o Senado resiste em votar os nomes indicados para o Conselho Nacional de Justiça (CNJ).



Apoio



Mendes não se manifestou sobre a nota da Ajufe, mas encontrou apoio declarado entre juízes federais que saíram em sua defesa. ?Sou testemunha do empenho concreto do ministro em favor dos pleitos da magistratura, inclusive com relação aos subsídios e à criação de varas federais?, declarou Ricardo de Castro Nascimento, presidente da Associação dos Juízes Federais em São Paulo.



Na avaliação de Nascimento, o presidente do STF ?assumiu as bandeiras dos juízes?. ?Sou independente da figura do ministro, mas eu o vi costurando, agindo politicamente do nosso lado, defendendo nossas reivindicações. O deputado Michel Temer enfatizou que encaminhará para votação em agosto o projeto dos subsídios. Tenho que ser justo. A Ajufe foi agressiva, muito deselegante com o presidente do STF.? As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Gilmar tem que ser processado

Por Luis Nassif

O sistema jurídico do país está suficientemente maduro e civilizado para que não haja intocáveis? O Brasil pode se perfilar ao lado das maiores democracias do mundo e se considerar um país em que a Justiça não seleciona os alvos de processos?

Então não tem como poupar o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, do crime de denunciação caluniosa, no caso dos falsos grampos, trama da qual participou acusando a ABIN.

Sem provas sequer de que o crime havia sido cometido, sem nenhuma evidência sobre a autoria dos grampos, Gilmar acusou expressamente funcionários públicos de autoria, comprometeu investigações contra acusados de crimes maiores. Agora, que não se apurou um indício sequer da exstência do grampo, pergunto: a Justiça vai fingir que nada ocorreu?

O fato de ser presidente do STF agrava o provável crime cometido. Não poderá alegar ignorância sobre pressupostos jurídicos básicos, como a presunção da inocência, o ônus da prova para quem acusa.

Gilmar atropelou princípios básicos de direito. A Justiça brasileira vai aturar imperadores intocáveis? Seus colegas de Supremo vão permitir essa mancha na história da instituição? Ou chegou a hora de mostrar que a Justiça brasileira é suficientemente madura, inclusive para cortar na própria carne.

Em entrevista exclusiva ao Novojornal, o delegado da Polícia Federal, Protógenes Queiroz, solta o verbo



Novojornal

Delegado Protógenes Queiroz
Por Geraldo Elísio

A entrevista de hoje tem peso maior. Literalmente uma voz. Em recente passagem por Belo Horizonte, o delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz concedeu entrevista exclusiva ao Novojornal, na sede da Associação dos Jornalistas do Serviço Público, com a colaboração do presidente da entidade, Cláudio Vilaça.

Pensando naqueles que não possuem placa de som, fizemos esta síntese. Ao final da mesma, basta clicar no local indicado para ouvir a íntegra da fala do delegado Protógenes Queiroz. Vamos ao teor das revelações.

NJ - O senhor descobriu toda a cadeia da corrupção no País?

Protógenes - Existem dois Brasis, um antes e outro depois da Satiagraha, que identificou um esquema de corrupção implantado há mais de 20 anos no País, com tentáculos espalhados em todos os Poderes da República. E houve uma inversão de valores, os investigados passaram a ter proteção do aparelho de Estado. A maioria da população está do nosso lado e a minoria ao lado de um banqueiro bandido chamado Daniel Dantas.

NJ - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é acusado de ligações com Daniel Dantas. Procedem as acusações?

Protógenes – Eu digo que o ex-presidente FHC iniciou a ligação perigosa e suspeita com Daniel Dantas ao iniciar o processo de privatização. Com isso facilitou negócios espúrios, ilícitos e criminosos. Crimes de lesa pátria. Nós verificamos mais de 1.400 concessões para uma só pessoa explorar o subsolo brasileiro, o banqueiro condenado Daniel Dantas que tenta vender parte destas concessões a grupos financeiros internacionais.

NJ - Existem interesses estrangeiros ligados a este processo?

Protógenes – Existe. Ele ficou mais claro com a Satiagraha quando nós manuseamos dados a partir da Operação Chacal que nos deu clareza do interesse internacional escuso sobre a riqueza do nosso País. O banqueiro criminoso Daniel Dantas é uma das pessoas ligadas a este esquema. Em 1992, ele fez parte da elaboração de um documento chamado Acordo Guarda Chuva, redigido em Washington, assinado pelo atual ministro Mangabeira Hunger, destinado a desviar riquezas do Brasil. Consta aí privatização do sistema de economia, Vale do Rio Doce, da Petrobras, do sistema de saúde e educação e até mesmo a transposição do Rio São Francisco, o que é muito grave. E todas estas pessoas estão soltas, o que é mais grave ainda. Estes poderes externos querem promover uma desestruturação dos Poderes da República. O combate à corrupção está fragilizado em virtude da fragilidade das próprias instituições. A própria Polícia Federal não tem independência. Outra situação grave desse clube de amigos é o desmonte do sistema brasileiro de inteligência. O Brasil hoje é uma nação desprotegida.

NJ – A Amazônia corre riscos?

Protógenes – Sim. Haja vista a exploração do petróleo, o desmatamento e a própria internacionalização da maior floresta do mundo. Com um fator grave, a corrupção no âmbito do Congresso Nacional que favorece os interesses externos.

NJ – Nós podemos ter esperança de reversão deste quadro?

Protógenes – Com certeza. A partir do momento em que a sociedade civil organizada apontar que Brasil nós queremos para as futuras gerações. A saída é política e nós estamos bem próximos disto aí. Temos de assumir o nosso papel de pessoas honestas, reivindicar e tirar os corruptos das instituições. Vamos conseguir isto exercendo a cidadania.

NJ – Há pessoas que responsabilizam FHC pela manipulação da dívida externa. É verdade?

Protógenes - Eu coordenei uma investigação a respeito de títulos da dívida externa brasileira e identifiquei fraudes tendo indícios de supostas irregularidades envolvendo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso quando na época ele era ministro da Fazenda. Identifiquei que a nossa dívida externa é artificial e ao fazer isto pude identificar todos os atores e responsáveis por este acréscimo de recursos creditados aos setores internacionais e que foram fraudados.

NJ – E quanto ao Projeto Sivam e ao Dossiê Cayman?

Protógenes – O Dossiê Caymam verificou-se era falso, porém continha indícios de que alguma coisa poderia ser verdadeiro. Quanto ao Sivam tudo ficou bem claro a partir da Satiagraha. Há sim interesses internacionais que infelizmente o senhor Fernando Henrique Cardoso beneficiou algumas, atendendo parte dos interesses internacionais e criando o Estado Mínimo no Brasil, desequilibrando o interesse público e interesse privado, criando terreno propício para a corrupção. Poderemos iniciar o resgate com a nacionalização da Petrobras.

NJ – O senhor se preocupa com a desorganização partidária brasileira?

Protógenes – Realmente é uma lástima a falência pública e partidária. Todos os partidos são controlados por interesses muitas vezes privados que se sobrepõem ao interesse do País. É necessária uma reforma muito grande.

NJ – A dispensa do diploma para o exercício do jornalismo?

Protógenes – Isto é um sintoma de falência do processo legislativo em não manter-se ativo. Devido a esta paralisação caótica que causa a possibilidade do Judiciário legislar ocorre isto. Caberia primeiro a estes profissionais serem ouvidos e eles não o foram. Agora chegou o momento dos jornalistas discutirem o papel da imprensa. A Satiagraha identificou também jornalistas comprometidos com ideias negativas ao prestar informações aos seus leitores.

NJ – Pretende-se a privatização do sistema de segurança pública. Em Minas o governador Aécio Neves deseja isto. O que o senhor pensa a respeito?

Protógenes – Isto é muito perigoso porque já estamos vivendo um sistema paralelo do sistema de segurança pública que só beneficia a quem tem poder e dinheiro neste País. Aos órgãos de segurança pública o Estado dá hoje um tratamento inadequado e injusto ao não alçar os instrumentos de segurança pública como necessários ao equilíbrio dos conflitos da sociedade. O que está ocorrendo em Belo Horizonte já é uma clareira aberta. Nós ainda não temos maturidade para isto. Com isto poderemos estar entregando as penitenciárias às grandes organizações criminosas, inclusive internacionais. Por que não se discute isto com a sociedade primeiro. O Brasil já é mínimo. Farão do País o mínimo do mínimo?

NJ – E a análise do governo Lula?

Protógenes – Faço a análise como cidadão. A primeira fase foi muito profícua. Num primeiro momento ele teve que alimentar quem tem fome e fez um pacto que impactou, as propostas “Fome Zero” e “Bolsa Família”. Se não fosse esta iniciativa do presidente Lula o Brasil estaria em piores condições. Mas aliado a isto houve também um pouco de fragilidade em busca da governabilidade, descaracterizando o próprio governo. Tivemos aí grandes escândalos que nos causam indignação e repulsa que hoje estão evidenciados em todas as cidades do Brasil.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

O Fim dos dois factóides de Gilmar Mendes

Da Folha (retirado do blog do Nassif)

PF conclui caso sem achar grampo no STF

Sem encontrar áudio de suposta interceptação telefônica de Mendes e Demóstenes, polícia não deve indiciar ninguém

Dez meses depois de aberto, inquérito terá resultados divulgados nos próximos dias; para a PF, não se pode dizer que não houve grampo

LUCAS FERRAZ
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Sem encontrar o áudio e sem identificar o responsável pela eventual gravação, a Polícia Federal concluiu a investigação que apurou o suposto grampo no presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Gilmar Mendes.
Para os delegados William Morad e Rômulo Berredo, responsáveis pelo inquérito aberto há dez meses, não houve crime, não há “corpo”, ou seja, não foi encontrada a suposta gravação. Segundo apurou a Folha, para a PF é impossível afirmar que não existiu o suposto grampo em uma ligação entre Mendes e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). O resultado oficial deve ser divulgado nos próximos dias.

Não haverá, portanto, nenhum indiciamento, nem do delegado Protógenes Queiroz, responsável pela Operação Satiagraha, nem de nenhum funcionário da Abin (Agência Brasileira de Inteligência).

A revista “Veja” atribuiu a autoria da suposta interceptação ilegal a agentes da Abin que atuaram na Satiagraha. A operação foi conduzida por Protógenes e, em julho do ano passado, prendeu o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity.

A Folha apurou que, no relatório, os investigadores devem fazer referência ao sistema de telefonia do país, muito vulnerável a interceptações ilegais.

De acordo com a investigação, o sistema telefônico do Supremo é menos vulnerável a grampo que o do Senado. Os sistemas dos órgãos passaram por perícia, assim como as companhias telefônicas.

O inquérito sobre o suposto grampo foi instaurado em setembro, por pressão de Mendes. Na época, o ministro, indignado com o fato de supostamente estar sendo monitorado, chegou a cobrar uma providência do presidente Lula.

Sabatinado pela Folha em março, Mendes falou sobre a possibilidade de o grampo não ter existido -”se a história não era verdadeira, era extremamente verossímil”- e admitiu “não ter muita certeza” sobre a participação da Abin.

Na ocasião, ele pressionou pela saída do então diretor do órgão, Paulo Lacerda, que depois deixou o posto e hoje é adido policial em Portugal.

Também em março, a PF já estava com o inquérito praticamente pronto -faltava a conclusão das perícias. As informações, contudo, eram de que o laudo pouco ajudaria a elucidar o caso.

Além da demora na conclusão das perícias, o inquérito passou meses parado na Justiça Federal do Distrito Federal -o motivo não foi esclarecido. Oficialmente, a PF disse que o fato não atrapalhou a investigação. A Justiça do DF não quis se pronunciar.

Paralelamente ao inquérito, os delegados Morad e Berredo também se envolveram em outros casos. O primeiro atuou no desenvolvimento de um sistema contra fraudes financeiras, e o segundo se tornou adido policial do Brasil na Itália.

Comentário do Nassif

O presidente do Supremo criou uma crise institucional em cima de uma mentira: a de que teria provas de que a ABIN participou do suposto grampo de que teria sido alvo. Digo mentira porque, sendo a palavra do presidente do Supremo, o pressuposto é de que teria elementos de convicção para formular tal acusação. Não tinha.

Depois, prorrogou a crise em cima de outra mentira: a tal escuta ambiental no Supremo - que foi desmascarada aqui pelos comentaristas, muito antes de sê-lo pelo relatório da PF.

Como fica o Supremo? Não fica. Os jornais sequer noticiaram o conflito ético do presidente do Supremo defender um poder - o Senado - que é grande cliente de sua empresa, o IDP.

Manifesto do Movimento Saia às Ruas

Luz em nossa democracia inacabada

Há 30 anos o Brasil iniciou um processo árduo de transição democrática. Combatemos a ditadura militar a custa de sacrifício, sangue e lágrimas. O povo brasileiro, de maneira direta e contundente, disse não à opressão, não à desigualdade radical, não à pobreza. O símbolo de nossa vitória foi a Constituição de 1988, que estabeleceu as bases de um novo País. Um País que valoriza a participação social, que condena a discriminação de gênero, de raça e de classe. Queremos resgatar o espírito das Diretas! Uma democracia viva é aquela com o povo nas ruas!

O Judiciário é alicerce dos poderes de nossa República. O Supremo, como Corte Constitucional, representa isso em seu grau máximo. Entretanto, o que vimos no último ano foi uma “destruição” na imagem e na credibilidade do Judiciário. O presidente Gilmar Mendes conseguiu colocar a Suprema Corte do País contra o sentimento que está nas ruas! Além disso, contraria o pensamento do próprio tribunal que deixa de decidir como um colegiado e causa um prejuízo ao conjunto do Judiciário Brasileiro que passa a ficar desacreditado.

Nos últimos meses, temos sofrido calados ao dar-nos conta de que algumas das nossas conquistas mais nobres estão sendo ameaçadas. Sofremos porque percebemos que a Justiça ainda trata pobres e ricos de maneira desigual. Sofremos porque notamos que os privilégios de classe e o preconceito contra os movimentos sociais persistem na mais alta corte do Brasil. Nós nos sentimos traídos por quem deveria zelar – e não destruir – (por) nossa democracia: o Presidente do Supremo Tribunal Federal!

Ao libertar o banqueiro Daniel Dantas e criminalizar os movimentos populares, o Ministro Gilmar Mendes revela a mesma mentalidade autoritária contra a qual lutamos nos últimos 30 anos. O Brasil já não admite a visão achatada da lei, aplicada acriticamente para oprimir os mais fracos. O Brasil já não atura palavras de ordem judiciais – como “estado de direito”, “devido processo legal” ou “princípio da legalidade” – apresentadas como se fossem mandamentos divinos para calar o povo. Já não há espaço no Brasil para um Judiciário das elites, um Judiciário das desigualdades.

Sabemos que nossa luta não será fácil. No passado recente, lutamos contra a ditadura do Executivo e, a duras penas, vencemos. Lutamos contra a opressão ao Legislativo e pela liberdade da sociedade civil organizada e a nossa força também prevaleceu. Mas não conseguimos por fim ao autoritarismo judicial, hoje encarnado na postura do Ministro Gilmar Mendes. Mantivemos, no centro da democracia brasileira, a mão forte de uma instituição que oprime, que desagrega, que exclui. Chegou a hora de retomar a terceira batalha. O Judiciário ainda não completou sua transição para a democracia e a maior prova disso são as posturas do ministro Gilmar Mendes que ofendem e indignam a vontade da população.

O ministro Gilmar Mendes representa um autoritarismo e uma polêmica partidária-ideológica que não coadunam com a nova luz democrática que as ruas querem para este tribunal. Você se lembra de algum partido político que lançou uma nota em apoio a algum presidente do Supremo em outro momento desse país como fez o DEM? Como esse ministro irá julgar agora os processos contra esse partido? Essa partidarização das questões nas quais o ministro Gilmar Mendes está envolvido mina sua credibilidade como juiz isento e imparcial.Sua saída indicaria renovação e o fim de atitudes coronelistas e suspeitas infindáveis que recaem sobre ele (ver abaixo “SUSPEITAS QUE RECAEM SOBRE GILMAR MENDES”)

Por isso, a voz das ruas está pedindo a saída do presidente do STF Gilmar Mendes. Não admitimos mais a presença de juízes que não tenham imparcialidade, integridade moral, espírito democrático-republicano e reputação ilibada para decidir nesta corte. Uma nova luz, democrática e ética deve surgir no STF!

Nas ruas e nos campos, nas capitais e no interior deste País, milhões de brasileiros escondem uma dor cortante dentro de si. Nossa dor é uma dor moral, que nos corrói a alma e nos aperta o coração. Sofremos por nossa democratização inacabada expressada no presidente do Supremo que, a pretexto de defender direitos individuais, criminaliza movimentos sociais e beneficia banqueiros poderosos. A garantia dos direitos individuais não pode tornar-se desculpa para a impunidade reinante. Já que a soberania emana do povo, perguntem às ruas! Ministro Gilmar Mendes, você nos envergonha como povo! Precisamos de ministros que sejam respeitados pela maioria da população e tenham reputação ilibada. Precisamos de mentes que, além de técnicas, sejam democráticas e éticas.

É por isso que estamos aqui, em uma vigília por um novo amanhecer, para devolver ao Brasil a liberdade que nos tentam roubar. Não haverá uma nova luz sobre o Judiciário, enquanto não terminarmos a luta que o povo brasileiro começou há 30 anos. Chegou a hora de concluir a transição democrática, de sair às ruas e iluminar a nossa história com novo choque de liberdade. O povo já tirou o Collor e tirará Gilmar Mendes!
Saia às ruas Gilmar Mendes e não volte ao STF! Viva o povo brasileiro!

Movimento Saia às Ruas.


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